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Centro de Educação a Distância

Jornal da Educação

Psicologia e Educação (Edição Julho/2019)

PROFESSORES AGREDIDOS – PRECISAMOS MUDAR O FOCO!

Escrito por Gilmar de Oliveira

O Brasil está, há tempos, vivendo o que chamo de estrabismo social. Sim, estamos estrábicos e, pior, também inertes. Vamos a uns exemplos: desde que começaram a explodir ou assaltar os caixas eletrônicos e agências bancárias, há anos, o governo e os bancos decidiram que ninguém mais sacasse dinheiro após 22 horas.

Claro, hoje em dia, quase todos aceitam cartões, lida-se pouco com dinheiro. Mas se você precisar viajar de surpresa à noite, por exemplo, se precisar de dinheiro vivo para pagar um borracheiro, não há caixas após 22h. Bandidos continuam explodindo caixas eletrônicos e aterrorizando o povo, só quem perdeu foi o cidadão.

O que deveriam investir, na prevenção e elevação da segurança pública, pouco se fez. Não privaram o bandido, privaram o cidadão. As ações sobre o indivíduo prevalecem, no Brasil, sobre ações coletivas, sobre a sociedade. As ações corretivas sobrepõem-se às ações preventivas.

Mais exemplos: contra assaltos e roubos, querem armar o povo. Mas a arma só em casa, sendo que invasões para assalto são casos mínimos. Em vez de prevenir os crimes, foca-se na fantasia de matar bandido, como se o povo fosse treinado, armas fossem baratas, que treinos de tiro fossem baratos, o brasileiro fosse contido e não um povo tão impulsivo e passional. Para prevenir que existam tantos bandidos, pouco ou nada se fez. A gente foca no bandido, na necessidade de punição, não na prevenção à existência de tantos marginais. E mais: focamos no usuário de drogas, ou no traficante da favela, nunca nos barões de gravata ou nas toneladas de drogas que entram e saem nas fronteiras. Ações corretivas enxugam gelo.

Assim está ocorrendo com os diversos casos de agressão e extremo desrespeito ao professor. Queremos a punição dos alunos agressores, violentos, debochados, sem respeito. Falam até em professores armados. Mas ninguém está se perguntando como se chegou a este ponto. Olhamos os banheiros das escolas, as salas com carteiras, cadeiras e portas quebradas, mas quase nunca prevenimos para que isto não aconteça.

Nos programas de TV, vimos casos horríveis de agressões e depredações, de indisciplina. Mas quem assiste e valoriza programas e notícias de bons exemplos de preservação, de treinamentos e capacitação da comunidade escolar?

Para que o povo todo passe a valorizar a escola, dar ao professor o status de um médico, de um sacerdote, de um político importante, precisamos dar mais espaço nas mídias para os mestres e aos profissionais da Educação, precisamos santificar a escola. É raro depredar igrejas. A escola precisa ser tão santificada quanto a igreja, pois Verdade e Liberdade também estão na escola.

O aluno agressor deve sim, ser punido. Mas os casos seriam muito menos numerosos se nossos professores fossem vistos com o respeito que merecem, através de campanhas de mídia, formando opiniões nas famílias. Não podemos esperar que as famílias eduquem melhor os filhos, se a escola não fez este serviço nas décadas passadas. De novo, ressalto: precisamos investir no coletivo, na prevenção de casos assim, valorizando a figura do professor, não colocando o agressor como protagonista! A conscientização coletiva em vez de controle pessoal.

E o governo precisa pensar no preparo do professor, treinando e capacitando, para que toda a equipe que lhe dá assistência jamais permita que a aula não se sustente. Os sindicatos, tanto quanto a luta salarial, devem promover campanhas de sensibilização sobre a importância do professor, da Educação e da valorização da figura da escola como transformadora de vidas!

Quando um governo começa a gestão acusando professores de propagar ideologias, pedindo ao povo que o professor seja filmado quando aborda assuntos que se ligam à política, coloca-se no professor uma placa de “idiota”. Quando um governo assume sem propostas, atacando o patrono da Educação, o professor também é agredido.

Quando um professor é agredido, mostram mais o agressor do que a figura de bom trabalho do professor. Quando um professor é humilhado, quando a aula é estraçalhada pela baderna, as pessoas se revoltam nas redes sociais, mas jamais pensam que um conjunto de abandonos levou ao extremo, e este abandono começa pelos governantes, que desconhecem totalmente o trabalho docente, dos especialistas e sobretudo, como anda a sociedade, pois os agressores, os assaltantes que explodem caixas, os assaltantes... todos passaram pela escola.

Mas o abismo social, a falta de perspectivas e ocupações para jovens e a imensa desigualdade entre ricos e pobres é o que gera o crime, mas ainda o foco fica sempre no criminoso. Continuamos socialmente estrábicos.

 
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