Logo da Universidade do Estado de Santa Catarina

Centro de Educação a Distância

Jornal da Educação

Histórias da Educação (Edição Jun e Jul/2018)

EDUCAÇÃO MODERNA E NACIONALIZADORA

Escrito por Daniele Hungaro da Silva

     Na imagem acima expressa a atividade pedagógica de uma escola municipal de Corupá, Santa Catarina, realizada na década de 1930. Nela há indícios de se tratar da prática da pedagogia moderna - um progresso, reconhecidamente, para aqueles tempos -, uma vez que é notória a superação de um modelo pedagógico centrado na sala de aula e no enfileiramento dos alunos.

 

     A imagem nos dá elementos que indicam tratar-se de um exercício que destaca as “novas ideias”, desenvolvido ao ar livre, com a disposição dos alunos em círculo, defendendo um ensino que privilegia os aspectos corporais e sensitivos.

 

     Por outro lado, também se observa o ensino de uma identidade nacionalizada, de um sentimento de adoração, veneração e devoção ao Brasil, com a bandeira nacional no centro da atividade, o objeto da cultura material escolar para atingir os fins nacionalistas de escolarização.

 

     Não se nega o paradoxo dessa construção. Moderna, porque trabalha a dimensão intuitiva do aluno, defendendo a aprendizagem pela observação direta das coisas, do seu manuseio, do ver, sentir e tocar, a perceber o mundo exterior “a partir dos quais seriam produzidas sensações e percepções sobre fatos e objetos, transformadas em matérias-primas das ideias, as quais, acrescidas da imaginação e do raciocínio, possibilitariam o desenvolvimento da capacidade de julgamento e de discernimento” (TEIVE, 2008, p. 137).

 

     Conservadora, porque incutia na criança o sacrifício pela nação, os seus deveres como cidadão à pátria e amor ao Brasil, uma educação moral e cívica, forjada pelo Estado, com foco central no ensino primário.

 

     Essa alternância de (in)evolução no método pedagógico da época deixam perguntas: será que havia um movimento de modernização do ensino ou será que tal prática era meio para consolidar e estimular os objetivos pedagógicos de nacionalização?

 

      Ao que parece, a educação estabelecia-se com o intuito de formar cidadãos saudáveis e produtivos, menos arbitrária e mais aberta às necessidades do educando – é verdade -, mas calcada no escopo de docilidade e obediência para a “homogeinidade cultural”, conclamada pelo governo getulista e colocada em marcha por Nereu Ramos, interventor do Estado de Santa Catarina de 1937 a 1945. Trata-se de um momento singular de autoritarismo na sociedade e no sistema nacional de ensino, no qual o ensino era baseado sobre fatos e experiências nacionalistas para a aquisição de (apenas) uma identidade cultural.

 

      Enfim, atrelada à disciplinarização do corpo infantil no ensino primário, práticas pedagógicas “modernas” tinham também em seu horizonte a necessidade de inculcar e fazer penetrar na mente dos (as) alunos (as) uma crença a qual todos trabalhariam para promover e divulgar, a chamada identidade nacional.

 

      Em síntese, a história da educação no país passa por momentos como este retratado, em que há dualidade de proposições e perspectivas para a efetivação de práticas pedagógicas mais inovadoras. Há avanços e recuos que prejudicam um avanço educacional de qualidade.

 

Referência
TEIVE, Gladys Mary Ghizoni. Uma vez normalista, sempre normalista: cultura escolar e produção de um habitus pedagógico - Escola Normal Catarinense - 1911-1935, Florianópolis, Editora Insular, 2008.

 

Daniele Hungaro da Silva é  doutoranda em Educação pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2017). Mestra em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (2015). Atualmente atua como professora efetiva no Cerfead/IFSC dedicando-se a formação de professores na modalidade EaD e a pesquisa na seguinte área de concentração: Fundamentos histórico-epistemológicos da educação no Brasil, com temas que versam sobre cultura escolar e história do tempo presente

 
ENDEREÇO
Av. Madre Benvenuta, 2007 - Itacorubi - Florianópolis - SC
CEP: 88.035-001
CONTATO
Telefone:
E-mail: comunicacao.cead@udesc.br
Horário de atendimento:  13h às 19h
          ©2016-UDESC
Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no Portal da Universidade do Estado de Santa Catarina. Ao continuar navegando no Portal, você concorda com o uso de cookies.